domingo, 2 de setembro de 2012


“Na FNAC do BarraShopping, um menino circulava curioso. Sua presença ali não costuma ser admitida pelos seguranças do shopping. Negro, pobre, vestido com as roupas possíveis, costuma ser tocado como se estivesse pronto a cometer um crime. Por um 'descuído', foi admitido ontem por alguns minutos. Passou algum tempo no iPad, tocando a tela com um brilho nos olhos, e depois encontrou o X-Box ligado para atrair compradores. Não demorou a entender o mecanismo. Logo estava jogando golfe contra o computador. E vencendo. Uma cena linda, que parei pra ver e, furtivamente, eternizei com o celular. Saiu dali para o ponto de ônibus. O golfista que possivelmente não teremos. E, principalmente, o cidadão que estamos perdendo.”

Fotografia e texto de Ricardo Miranda Filho.


4 comentários:

André Giorgetti Shimanuki disse...

Num mundo de consumidores, a exclusão é consequência inevitável da ausência da cidadania.

André Giorgetti Shimanuki disse...

"Me ensinaram o que querer mas não disseram como ter."

Trecho da canção "Amém Calibre 12" Banda F.U.R.T.O. (Frente Urbana de Trabalhos Organizados) projeto do músico Marcelo Yuka.

Daniele Martins disse...

Infelismente existe muito preconceito entre as pessoas.. quando vêm um negro, com poucas condições aparentemente já o excluem .. o maltratam. Mal sabem ele que aquilo pode ser um incentivo para aquele menino de crescer na vida.. e poder alcançar a chance de ter um aparelho daquele em suas mãos. As vezes acho que as oportunidades estão em mãos erradas...

André Giorgetti Shimanuki disse...

Em pleno século XXI, as pessoas ainda usam o critério "cor da pele" para legitimar discursos de superioridade, nutrir formas de exclusão, seja de forma direta ou indireta.